Transcrição:Carta assinada por "Pontifex Bilrach"

De RuneScape Wiki
Ir para: navegação, pesquisa

Este pergaminho antigo devia ter milhares de anos. Aparentemente ele nunca foi lido pelo seu destinatário.
-Celia

Vossa Santidade,

Escrevo-lhe de Kharid-et, a mesma fortaleza onde nos encontramos pela primeira vez com o nosso Lorde e nos aliamos à sua causa sob a promessa de sermos aliviados do nosso desastroso enfraquecimento. Aqui, aqueles que restam do nosso pequeno grupo descansam para se recuperar das feridas, da exaustão e da desidratação. Tenho boas notícias para relatar, mas vou primeiro contar a história do princípio.
Conforme instruído, guiei a expedição de Heriditas pelas profundezas do deserto de Al-Kharid em busca de qualquer sinal de Tumeken, o deus caído dos Menaphitas. Fomos acompanhados em nossa expedição por um grupo de correligionários humanos liderados pelo Tribuno Lucien. Partimos de Kharid-et sob condições climáticas favoráveis, mas, depois de dois dias de viagem, fomos atingidos por tempestades de areia, causando uma enorme confusão. Quando os ventos dissiparam, descobrimos que metade dos correligionários e um terço dos padres desapareceram, junto com grande parte dos nossos suprimentos e do nosso estoque de água.
Decidimos regressar mas, neste momento, nos deparamos com um fenômeno estranho. As estrelas que víamos no céu pouco se pareciam com aquelas com que estamos acostumados. Um dos padres sobreviventes, um humano especialista em astrologia, disse que, embora reconhecesse várias estrelas, elas tinham trocado de posição. Nessas condições, não conseguimos regressar a Kharid-et. Lucien e eu concordamos em escolher uma direção, uma vez que a alternativa seria ficar no deserto e morrer ou desidratar.
O deserto estava em silêncio, e não havia sequer uma brisa para agitar a areia. Depois de muitas horas de viagem, nós nos deparamos com outro fenômeno: o sol ainda não nascera. Continuamos viajando, confirmando que de fato havia passado muito tempo, e nenhuma luz se manifestou no horizonte. As areias do deserto, iluminadas pela tênue luz das estrelas, se estendiam em todas as direções, e os nossos passos deixavam apenas uma marca superficial antes de desaparecerem completamente de vista, mesmo sem nenhum vento.
Neste momento, o astrólogo, que até então se arrastara em uma espécie de torpor, começou a chorar de medo. Todos olhamos para ele, e os legionários desembainharam suas espadas.
"O sol está de luto!", ele gritou, "Ele está de luto e escondeu a sua cara do dia, porque a sua perda foi muito grande."
Os olhos do padre assumiram uma profunda cor negra, e, enquanto olhávamos, começaram a se incendiar. O padre começou a gritar em um dialeto Menaphita que nenhum de nós entendia, antes de cair de cara na areia e parar de se mexer. Antes que pudéssemos enterrá-lo, seu corpo desapareceu na areia, e se perdeu para sempre. Continuamos viajando e, em pouco tempo, chegamos a um campo conhecido. Era a mesma planície onde o Mahjarrat zarosiano e o Mahjarrat Menaphita se enfrentaram no final da guerra peninsular. A planície onde Tumeken e Temekel pereceram, e onde, se não fosse pelas suas ações, os Mahjarrat teriam sido extintos.
No centro da planície descobrimos, para a nossa surpresa, humanos em tendas semi-nômades. O local parecia ser uma espécie de nexus para eles, um ponto de encontro tribal para nômades; conforme nos aproximamos, vimos que eles se moviam por destroços de um campo de batalha antigo.
Fomos conhecer o líder da tribo, um guerreiro grande e poderoso coberto por curativos com um forte cheiro de soda cáustica e uma armadura que não deixava nenhuma parte do seu corpo visível. Ele nos deu as boas-vindas em nome de Tumeken, e nos mostrou o seu principal objeto de adoração: um enorme diamante, com 20 centímetros de diâmetro, que eles chamavam de Coração do Sol.
Foi então que o líder olhou novamente para Lucien e para mim, e perguntou: "Já faz assim tanto tempo que vocês se esqueceram de mim, irmãos?" Não sabíamos o que ele queria dizer, até que, ao retirar os curativos da face, revelou uma caveira sorridente em chamas. Era Temekel, aquele que outrora foi o mais forte entre todos os Mahjarrats de Guilenor e líder dos fiéis Menaphitas. Perguntei-me se tinha alguma coisa a ver com a similaridade nada mais que coincidente mas altamente confusa entre o nome dele e o nome do deus que o motivava.
Seus tribais nômades começaram a nos atacar, e os legionários assumiram uma posição defensiva em torno de nós e dos padres. Temekel também partiu para o ataque contra os nossos exércitos, passando pelos humanos sem dificuldade. Embora os legionários altamente treinados tenham conseguido derrotar os nômades com facilidade, sempre que os inimigos caiam um brilho de chamas do diamante colocava-os novamente em pé, como mortos-vivos. Foi uma ideia súbita que me permitiu salvar o dia. Usando truques e estratagemas, consegui passar pela linha inimiga e alcançar o seu tesouro. Ameacei destruir o diamante, forçando Temekel a se render, e foi exatamente isso que ele fez, com um brilho desafiante nos olhos. Lucien decidiu não arriscar, e atacou violentamente a cabeça do nosso prisioneiro com a sua espada. Temekel, que em outras circunstâncias poderia ter esmagado Lucien usando nada mais que o poder da sua mente, não ofereceu resistência. Seu crânio separou-se de seus ombros e rolou no chão, chegando até os meus pés. "Tumeken regressará, irmão, e quando isso acontecer, seu império de traidores será consumido pelas chamas". Com isso, o crânio se desfez em chamas, que rapidamente se alastrou de tenda para tenda e consumiu todo o campo.
Com a morte do líder, os nômades restantes tentaram escapar, e embora tenhamos derrotado tantos quanto pudemos, vários outros escaparam para o deserto. Capturamos os camelos e os suprimentos que conseguimos e, guiando-nos pelo traçado do campo de batalha antigo, partimos em direção ao império.
Depois de vários dias de viagem o sol nasceu mais uma vez, e regressamos a Kharid-et. Dos 500 aventureiros que partiram, apenas duas dúzias regressaram, mas a nossa recompensa era o Coração do Sol, um artefato de poder incomensurável. Foi uma troca justa pela morte de algumas centenas de humanos. Conforme escrevo esta carta, o diamante está sendo levado para os cofres que existem embaixo desta colônia.
Aguardo sua resposta e mais instruções.
Atenciosamente,
Pontifex Bilrach