Transcrição de Memórias do inquisidor (página 1)

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Memórias de inquisidor 1

Escrevo estas palavras não para a posteridade ou pela fama, e sim porque simplesmente não tenho mais ninguém com quem conversar. Minha vida foi cheia de segredos e silêncio, portanto é adequado que ela termine do mesmo modo. Ainda assim, sinto a necessidade de deixar algo para trás, um pequeno lembrete ao mundo de que eu existi. Então escrevo estas memórias dos eventos que levaram ao meu fim.

Ela começa, como toda grande história, com traição. Todos somos capazes de cometê-la, desde o santo mais sagrado até o maior pecador, todos damos facadas nas costas dos outros. Foi assim entre a Inquisição e os pretorianos, e assim será novamente. Meu nome é Aurelius, mas esse nome não sobreviverá ao tempo. Eu sou - não, fui - um membro da Inquisição, a grande e sagrada polícia secreta do vasto e poderoso Império Zarosiano. Era o nosso dever andar pelo império em segredo para descobrir e eliminar hereges e blasfemos, pois nosso mundo era envenenado por eles. A heresia é uma doença que se espalha de alma em alma, contagiando-as, transformando pessoas boas em pecadoras - e pior. Como nas piores infecções, a única solução, às vezes, é se livrar da carne contaminada, amputando a corrupção para salvar o todo. Nós fazíamos um bom trabalho.

Porém não éramos os únicos olhos secretos da cidade. Nós nos focamos em proteger a fé, ao passo que o interesse dos pretorianos recaía sobre outras áreas. Enquanto nós perseguíamos falsos profetas e hereges repugnantes, eles perseguiam dissidentes e separatistas. Como você deve imaginar, em um império governado e supervisionado por nosso deus irrefutavelmente real e fisicamente presente, as duas responsabilidades se sobrepunham com frequência. O problema em ser uma polícia secreta é que nós não sabemos uns sobre os outros - pelo menos não até ser tarde demais. A essa altura, uma verdadeira tragédia pode ter sido estabelecida.

Tal tragédia assolou o Mahjarrat Kolton, quando ele foi traído por alguém a quem ele chamava de amigo.

Kolton era um Tribunus, sim - um soldado do grande exército zarosiano. Porém ele também era um de nós. Ele era um membro da Inquisição, fiel e devoto ao único deus verdadeiro, Zaros. Ele lutou a guerra no campo de batalha contra os pagãos tal qual lutou a verdadeira guerra - a guerra mais profunda - aqui nesta cidade. A guerra pelas almas de Senntisten. A guerra secreta, porém uma muito justa. Como um Mahjarrat, ele possuía todos os privilégios que concedidos ao seu povo, porém ele nunca perdeu a fé ou se permitiu ser vítima da decadência das classes de elite. De fato, seu maior defeito era confiar demais e de maneira intensa, em todas as pessoas erradas.

O Prefectus Praetorio é uma criatura de muitas facetas e ele mostra faces diferentes para pessoas diferentes. Muitas parecem umas com as outras, porém a intenção e a lealdade por trás das máscaras são tão fluídas quanto os rios ao longo dos aquedutos e infinitamente mais traiçoeiras. Para Kolton, ele usava a máscara da amizade, da fraternidade. Porém, todas as faces de Sliske são máscaras.