Transcrição de Memórias do inquisidor (página 9)

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Memórias de inquisidor 9

A câmara não era grande, mas parecia vasta. Olhando ao redor, meu estômago embrulhou. Era uma sensação parecida com o terror de ficar à beira de um precipício desmoronando. Ainda assim, me senti compelido a seguir adiante, para dentro da sala.

A câmara era dominada por uma estrutura única, um monólito estranho que pairava no ar. No centro do monólito havia algo parecido com um vórtice rodopiando e dele partia uma voz sussurrante.

Suas palavras eram como luz das estrelas, e fiquei deslumbrado ao escutá-la. Ela me prometeu tudo o que eu queria: a evidência necessária para acusar Sliske, a chance de ter a minha família de volta, tudo o que eu sempre sonhei... Se eu tocasse o monólito. Era intoxicante. Porém eu sou um inquisidor, e nós não caímos em tentações simples. Eu me contive e me afastei, e o meu olhar se voltou para Kolton. Seus olhos estavam muito abertos, tanto por fascinação quanto por terror, e eu senti o monólito estendendo a sua presença para ele, usando o Reino das Sombras como braços. Em um piscar de olhos, vi o último vestígio de sanidade deixar a sua mente, e ele foi ao chão em estupor, babando como um animal. Senti a atenção do monólito se voltar para mim.

"O que é você?" Gemi, desesperado para compreender o incompreensível.

"Vos", ela disse, como se fosse resposta suficiente.

Conforme sentia a voz sussurrante em minha direção, com todas as promessas do mundo, me senti cada vez menos capaz de recusá-la. Sua necessidade era tão simples, tudo o que eu precisava fazer era tocar o monólito e abrir um pouco mais aquela fenda no mundo. Só tinha que deixar mais um pouco entrar. Era tão razoável. Tão simples. Como eu poderia negá-la isso quando ela me prometia tudo em troca?

Felizmente, Zaros interveio.

A fúria de um deus é algo lendário. É o fogo que incendeia montanhas até as cinzas e rompe luas ao meio. Eu poderia compreender fúria bruta e desenfreada. Mas a raiva de Zaros era tão controlada - tão armazenada que se tornou um grande peso me empurrando para baixo. Sua conduta permaneceu inalterada e sua voz era calma e implacável como sempre, porém ela permeava o ar, o edifício, e os meus ossos. Com um estalar, o monólito se fechou. Ele mal tinha se aberto - a diferença entre aberto e fechado era imperceptível. Mas agora aquele sentimento compulsivo tinha ido embora, e apenas a raiva de um deus caía sobre mim.

Agora eu sabia que este era um lugar sagrado. Um lugar que pertencia apenas a Zaros. Um lugar onde ele podia colocar em prática sua vontade divina sem interferências ou distrações. Em nossa curiosidade cega, nós invadimos o seu domínio.

Nos dias que se seguiram, Zaros começou a restringir o poder e o alcance da Inquisição. Nos foi negado o uso das estátuas, e os nossos deveres eram bem mais restritos. Os pretorianos tomaram conta do resto, e conforme nós fomos enfraquecidos, a chama deles se tornou mais brilhante. Cada vez que eu via Sliske, eu via o sorriso enlouquecedor - aquele sorriso de bobo que contradizia uma mente fria, cruel e calculista. Ele havia nos destruído com um sussurro, e eu tinha sido um grande tolo.

O pobre Kolton nunca mais recobrou o controle sobre a sua mente. Isto o transformara no sacrifício perfeito para o ritual daquele Mahjarrat cruel. Sliske havia me destruído e garantido a sua própria segurança por meio do ritual por pelo menos mais alguns séculos.

Não me surpreendeu ter meu título de inquisidor negado. Eu não os culpo. Minha curiosidade foi o que levou à nossa queda e nos custou um bom soldado. Agora, estou sozinho e praticamente esquecido, como deve ser. O único problema é que eu continuo escutando a voz sussurrante me chamando. Até mesmo enquanto escrevo estas palavras posso escutar aquela linda canção, me incitando a encontrá-la novamente.

Desta vez, no entanto, não há nenhum deus para me impedir.

Ela pede tão pouco e sua canção é tão bela.