Transcrição de O Livro de Sliske

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Capitulo 1[editar | editar código-fonte]

Os zarosianos quebraram nossa linha de frente, misturando sangue com poeira. Seu fervor pela batalha era insaciável. Recebemos ordens de bater em retirada ao amanhecer, mas sabíamos que não sobreviveríamos até a aurora. Precisávamos que os deuses de Al-Kharid abençoassem o campo de batalha imediatamente; a moral estava baixa e as últimos sinais de nossa civilização estavam se esvaindo. Pesei minha bolsa de moedas e me perguntei se não era hora de abandonar a vida de mercenário; roubar um navio e fugir.

Uma luz brilhante nos cegou momentaneamente e o chão começou a tremer. Uma ventania invadiu a planície como um maremoto, afogando os gritos de guerra. A luz se alastrou como chama em pergaminho, abrindo um rasgo na estrutura do mundo. Da fenda cavernosa saiu um pequeno exército, fazendo o chão tremer sob seus pés. Alguém mantinha o portal aberto, uma figura com uma cabeça de chacal sobre os ombros. Icthlarin havia retornado e trazido reforços.

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Capítulo 2[editar | editar código-fonte]

Foi um momento decisivo na guerra de Al-Kharid e Zaros. Os guerreiros de Icthlarin foram de encontro às forcas zarosianas. Seus comandantes eram aterrorizantes de se observar - poderosos feiticeiros de nomes que soavam estrangeiros para nossos ouvidos. O exército deu a eles um novo nome: "Juízes Inexoráveis". Eram algumas dezenas de centímetros mais altos do que nós, vestidos com túnicas, com rugas nas testas. Um, em especial, me impressionou: sua gargalhada ecoando em meus ouvidos e seu riso forçado gravaram-se em minha memória. Seu nome era Sliske, e ele aparecia e desaparecia de acordo com sua vontade. Era temido pelos soldados e os de sua própria raça suspeitavam dele. Senti uma ligação com ele, ainda que me sentisse intimidado por seu poder.

Ao longe, eu podia enxergar os deuses de Al-Kharid aniquilando o inimigo, acompanhados dos Juízes Inexoráveis. Mas Sliske tinha um objetivo diferente e se movia em outras direções. Ele se movia silenciosamente. Mal podia acompanhá-lo enquanto ele se deslocava pelas sombras. Eu o persegui, afundando minha espada nos soldados miseráveis em meu caminho.

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Capítulo 3[editar | editar código-fonte]

Esforçando-me para acompanhar o ritmo de Sliske, acabei me perdendo na escuridão, tendo como única luz aquela que vinha das tochas. Prossegui lutando e Sliske se materializou no meio de um grupo de inimigos. Ele não parecia dar preferência a sua espada; em vez disso, punha a mão na armadura dos inimigos tanto ele quanto o inimigo despareciam. Alguns instantes mais tarde, Sliske retornava, mas seu oponente não.

Fui atingindo e derrubado ao chão. Encontrei-me de barriga para cima, com uma lâmina apontada para meu pescoço, olhando nos olhos selvagens de um batedor zarosiano, Fui tomado de medo quando ouvi a som de aço atravessando carne humana... mas não senti nada além de uma gota de sangue morna em meu peito. O corpo foi arremessado como um boneco enquanto seu rosto continuava a me encarar. Nunca esquecerei daquele sorriso sinistro - come uma caveira coberta por um verniz de carne humana enrugada e acinzentada. Meus olhos se fixaram nos olhos de Sliske, e ele descansou o dedo indicador sobre os lábios. Ele sorriu e desapareceu.

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Capítulo 4[editar | editar código-fonte]

Nos meses seguintes, Icthlarin liderou o movimento em direção ao norte, atravessando o rio Elid. Assisti aterrorizado enquanto os Juízes Inexoráveis dominavam seus inimigos. Apesar de minha obsessão por Sliske, era praticamente impossível seguir seu rastro; num minuto eu o observava à distância, no outro ele havia desaparecido montado um séquito de entidades sobrenaturais - brilhando em preto e roxo - como se os guerreiras que ele executara em batalha houvessem retornado para servi-lo.

Finalmente alcançamos as montanhas, e o exército de Zaros resistiu em uma passagem estreita. Apesar de sua vantagem tática, nós vencemos desta vez. A poeira assentou e o sangue em nossas espadas evaporou-se ao sol. Com a maioria das terras de Al-Kharid sendo recuperadas, Icthlarin exigiu que Sliske libertasse seus seres sobrenaturais para que ele pudesse os guiar para o submundo. Quando Sliske se recusou, Icthlarin os tomou à forca. Com um golpe apenas, Icthlarin obliterou um regimento inteiro. Sliske cerrou os olhos e sorriu. Desapareceu com um gesto e daquele dia em diante, Icthlarin nunca mais considerou Sliske um amigo.

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